Mesa Quadrada #5.1 – Dir. Arte X Redatores: Arte na Criação
Postado em: fevereiro 10, 2010
Categoria: Geral, Mesa Quadrada
No terceiro Mesa Quadrada, nosso amigo Renato Cabral disse que criação publicitária é algo puramente técnico. Essa declaração gerou uma certa polêmica nos comentários e a gente resolveu discutir a fundo com profissionais de criação. Plaaaaay!

fevereiro 10th, 2010 at 11:03
Carta aberta aos publicitários e ao Kuntz
Minha afirmação (bêbada, fanfarrona, mas nunca delirante) se apóia em algo muito simples: {Função}. O publicitário (após degolarmos seu ego megalomaníaco) é um alfaiate, um tecelão, um batedor de prego. Isso no passado não tinha nada demais. Tenho vergonha de reafirmar o óbvio, mas o óbvio pra alguns ainda é um quarto escuro.
A função do publicitário é criar pra venda, mesmo que tenha um repertório vasto de leituras plurais (textos, imagens, sons, músicas, cerveja, fliperama). E é bom que se tenha, pq senão vai ser mais um bosta no mercado.
A arte se nutre de outra coisa, sua função é outra, seu prato servido é bem diferente. Acho insuportável a mistura dessas duas coisas, mas hora nenhuma digo que o criar publicitário é algo menor. É diferente, quer atender a algo recente, que se chama mercado capitalista (blargh! não sou comunista, faz favor). O publicitário pode usar desde a Monalisa até um show de stripper pra fazer seu samba enredo e sua evolução, mas a função continua a mesma: vender.
E saber fazer isso, essa associação única de elementos para passar a rasteira no emocionado consumidor é uma técnica, uma habilidade que se aprende como jogar Call of Duty Online. Por isso há faculdade de Publicidade. Por isso ela é tão péssima. Se um aluno lesse os clássicos e aprendesse a ler o mundo e o outro, ele seria melhor, que seja um publicitário mais relevante.
A técnica publicitária é saber tecer esse fio que chega ao consumidor e saber pregar o botão na sua testa, firmando ali uma marca, ou um desejo. O consumidor é esse sujeito que nunca está pronto. Ainda bem. Por isso, pra quem tem técnica apurada (e os pastores sabem muito bem disso ao usar sua “arte” da persuasão falatória) não é tão difícil conquistar corações apaixonados e mentes desprevenidas.
E sensibilidade não é coisa de artista, sensibilidade até o caminhoneiro chavecando um traveco tem pra poder vender o seu peixe, que seja ganhar um desconto. E com relação à técnica, não confundam com o uso de ferramentas e instrumentos. Até os macacos sabem usar o Photoshop se vc ensinar e até uma escova de dente é uma arma se você souber onde enfiar. Amo vocês. É isso.
*Enfim, logo logo o @kntz, que é mais inteligente que eu, virá aqui e irá me humilhar publicamente e trazer mais luz à nós todos e às nossas impressões de homens vendo sombras na caverna. Espero por ele.
fevereiro 10th, 2010 at 11:07
hahahahaha… muito bom…
fevereiro 10th, 2010 at 11:08
Senhor Diogo Borges! Faça-me o favor! Se embebedando na TV, queimando o filme dos redatores publicitários! Aneinnn…rsrsrs
E o Raul?! Sabedoria oriental a serviço da publicidade! Gostei de ver.
Muito boa a discussão. Técnica e arte na criação publicitária. Pra explicar essa ‘questã’ eu recorreria ao futebol, aos craques da bola, que nada mais nada menos são a pura mistura de técnica e arte. Futebol explica o mundo, e explica a criação publicitária também.
fevereiro 10th, 2010 at 11:36
É verdade, Suzana… O Diogo já foi um bom exemplo!
kkkkkkkkkkkkkkkkk
Próximo scriptease poderia ser atendimento X criação.
Esse sim vai dar pano pra manga.
fevereiro 10th, 2010 at 12:06
Com certeza atendimento vs criação vai ser bem mais polêmico!
Eu me candidato!
fevereiro 10th, 2010 at 13:08
Penso que é uma bela, ou não, mistura de arte com técnica. Tem muita coisa feia que não deixa de ser arte e vice-versa. Mas, afinal, arte não acaba sendo uma técnica?
Significado de “Arte”, direto do dicionário Michaelis:
s. f. 1. Conjunto de regras para dizer ou fazer com acerto alguma coisa. 2. Conjunto de prescrições de um ofício ou profissão: 3. Saber ou perícia em fazer uma coisa. 4. Expressão de um ideal de beleza, concretizado em qualquer obra de gênero artístico. 5. Conjunto das obras artísticas de uma época, de um país. 6. Dom, habilidade, jeito. 7. Ofício, profissão. 8. Maneira, modo. 9. Traquinada, travessura.
Pelo que vivo no dia a dia da comunicação, misturamos todo o conhecimento adquirido com técnicas aprendidas numa faculdade e nesse cotidiano. Tentamos somar isso a certa sensibilidade necessária para a percepção do que pode levar o consumidor daquele produto ou serviço, a comprar. Sem técnica não tem arte e, sem arte, não tem técnica. Em todo significado de arte tem um uma técnica. Cada um tem uma técnica pra desenvolver a sua arte e deixar isso inteligível pra quem está sendo direcionada.
Mas, sem politicagem, acho que todos os argumentos pronunciados são corretos, sem excessão.
Bela discussão. Parabéns!
fevereiro 10th, 2010 at 17:09
Cabral, você está certo. O problema é que o mundo é que está equivocado. E sim, Redação Publicitária é única e exclusivamente técnica – como toda arte. Não há arte sem técnica. Aliás, já que estou nas ondas da vida acadêmica novamente, vamos aproveitar e desmistificar a diferença. “Ars” (arte) nada mais é que a tradução latina de “Techné” (técnica). A palavra grega “techné” é caracterizada como uma conduta certa numa atividade específica, e que subordina a uma série de conhecimentos repassados através da educação. Ambas as palavras designam a mesma coisa e significam as mesmas ações. A divisão entre “arte” e “técnica” é simplesmente cultural, medida mercadológica no sentido de valoração do trabalho em si, o mercado da arte que o diga. Daí que o domínio pleno da técnica pode levar a trabalhos exemplares, isto é, “obras de arte ou obras primas” que servem de modelo estético, padrão de beleza a ser seguido. Portanto, obviamente, um escritor, um jornalista ou redator publicitário se utilizam das mesmas técnicas para obter produtos da mesma espécie, diferentes apenas quanto ao modelo e uso. Artista, portanto, é alguém com excelência no uso das técnicas que conhece, tenha as inventado ou aprendido. Aqueles sem tal excelência, são os artesãos. E aí está a diferença entre um redator publicitário e um escritor, o primeiro é um artesão, o segundo é um artista. Cabe a cada um comprar sua briga com o destino e se desenvolver a ponto de se tornar representativo no meio cultural em que vive, seja como artesão ou como artista. O mesmo raciocínio vale para os diretores de arte e artistas plásticos. Quanto à inspiração, todo mundo tem, o que falta a muitos é o conhecimento cultural e técnico, a criatividade em si, para adequá-la ao contexto necessário ou exigido.
fevereiro 10th, 2010 at 17:28
Eu não falei, eu não te disse? Tá aí em cima. Viu? Não falei que o cara é bom?
fevereiro 11th, 2010 at 17:31
Massa o debate. Só de ter briefing já é técnico, pois como se cria sem informação? Conhecimento de mundo como meu bro Xandão (Mais conhecido como Xsandy) disse tbem é fundamental. Ler, ouvir e ver de tudo sem preconceitos.
Agora uma observação: a acustica desse lugar onde foi gravado não é muito boa.
Salve Scriptease.
fevereiro 12th, 2010 at 16:15
Beleza, tava tudo massa no debate até eu ler isso aqui: “Mais conhecido como Xsandy”. Alguém me diga que isso é mentira, não pode ser um homem sério!
fevereiro 12th, 2010 at 16:52
Meu Deus!! Isso aqui está pegando fogo.
fevereiro 17th, 2010 at 10:10
hahahahahahahaha mas é sim Barão, foi só pra quebrar o Gelo.
Abs.
fevereiro 17th, 2010 at 21:50
Gente, tá #PESSIMO esse áudio.
fevereiro 18th, 2010 at 11:53
se for rolar um entre atendimento e criação to dentro tbem. Dizem que existe uma rixa historica entre as partes. Comigo ela nunca aconteceu. Vamos falar sobre?
abs.